Devil's Night é uma tradição real da véspera de Halloween em Detroit. Veja a origem e como Penelope Douglas transformou a data em saga de romance.
Hoje, 30 de outubro, é Devil's Night — nome que, nos Estados Unidos, designa a noite que antecede o Halloween. É também o título da saga de romance mais comentada de Penelope Douglas. A coincidência não é coincidência: a autora batizou os livros em cima de uma tradição real, com décadas de história em Detroit.

Segundo reportagem da Mental Floss, o costume de aprontar na véspera do Halloween é bem mais antigo do que o apelido sombrio sugere: a origem é ligada à chamada Mischief Night, tradição britânica de pregar peças que remonta a séculos atrás e que, ao longo do tempo, migrou de data até se fixar em 30 de outubro em algumas regiões dos Estados Unidos. Em Detroit, porém, o que começou como traquinagem de vizinhança foi ficando mais sério ao longo do século 20, até virar sinônimo de incêndios criminosos nos anos 1980 — o pico foi 1984, com mais de 800 fogos registrados numa única noite, parte deles ligados a fraude de seguro, com donos de imóveis usando a data como disfarce para queimar os próprios prédios.
A cidade respondeu com reforço de policiamento e toque de recolher para menores a partir de meados dos anos 1980, e depois com a mobilização de voluntários do projeto Angel's Night, que chegou a reunir cerca de 30 mil pessoas pelas ruas em 1990 para evitar novos incêndios. Nos anos recentes, a noite ficou tranquila, e o motivo exato de o fenômeno ter praticamente desaparecido ainda é debatido por quem cobre a história da cidade.

É esse imaginário — a noite em que as regras afrouxam e jovens aprontam sem muita vigilância — que Penelope Douglas usa como ponto de partida da ficção. Na saga, o grupo de amigos protagonista tinha o hábito de tratar a data como um "jogo" próprio quando adolescente, e é um episódio específico desse jogo, anos atrás, que desencadeia toda a trama de vingança que atravessa Corrupt e os livros seguintes. A autora pega o nome e o clima da tradição real — a sensação de limite testado, de noite perigosa — e transforma isso em mitologia própria da série, sem compromisso com os fatos históricos de Detroit além do empréstimo do título.
Funciona também como curiosidade de calendário: para quem está devorando a saga agora, ler os livros justamente nesta época do ano reforça a atmosfera que Douglas constrói nas páginas.
Fonte: Mental Floss (link abaixo)
Links: Mental Floss — a história do Devil's Night em Detroit
Fonte: www.mentalfloss.com
