
Toy Story 5 veio para acalentar corações nostálgicos, tratando o sentimento de pertencimento e propósito de modo muito singelo e sincero.
Neste novo capítulo, conhecemos mais a fundo o passado da nossa querida vaqueira Jessie que desde o início nutria um amor incondicional pela sua primeira dona e acreditava ocupar um lugar especial em sua vida. No entanto, a dor da despedida e o sentimento de abandono continuam marcando sua trajetória e de lá para cá a pequena Jessie passou por algumas crianças até chegar em Bonnie, uma pequena criança entre poucas que ainda dava valor ao brincar com seus bonecos, criar histórias e se divertir com eles a cada brincadeira que iniciava, Jessie se sentia em uma nova missão de vida: fazer outra criança feliz e se sentindo em casa, acreditando que sua função vai muito além de ser apenas um brinquedo, principalmente porque Bonnie é uma criança tímida, sem muitos amigos e Jessie tem como propósito sempre deixar a sua garotinha feliz, sempre que possível diminuindo a distância emocional que Bonnie tem com as outras crianças.
O filme traz uma crítica social que hoje é muito comentada, a chegada da tecnologia e seus efeitos colaterais desenfreados em crianças, Bonnie demora para ser conectada a esse mundo e quando consegue entrar nesse universo, tudo muda, mas não para melhor.
Bonnie sempre teve dificuldade de pertencer a um grupo e mesmo tão pequena se vê na obrigação de se diminuir para caber em alguma panelinha para se sentir aceita, um conflito bastante contemporâneo e facilmente reconhecível, com isso ela perde sua autonomia sobre o brincar quando ganha o tablet infantil do momento chamado Lilypad, em poucos dias ela não sente mais vontade de brincar com os brinquedos de sempre, é hipnotizada pela tela e não sai mais dela e seus brinquedos se sentem como antes quando tiveram que dar adeus ao seu antigo dono Andy: abandonados e incapazes de fazer a criança que eles amam feliz.
Então trava-se um embate entre brinquedos e um aparelho tecnológico que tenta tomar o lugar deles no coração de Bonnie. Nisso, entramos numa aventura em que Jessie acaba voltando às suas origens, relembrando o seu passado e fazendo de tudo para que Bonnie veja o valor dela e não a abandone como Emily fez.
No fim, o filme mostra os pesares do excesso de tecnologia na infância e frisa a importância de também saber brincar longe das telas, dos amigos verdadeiros que se faz. Mais do que uma história sobre brinquedos competindo com a tecnologia, o filme fala sobre encontrar seu lugar no mundo sem abrir mão de quem você é e que a chegada de uma nova era não deve ser vista como ameaça total, é possível ter o equilíbrio saudável entre as duas coisas.
Sobre as as mudanças gráficas, é perceptível a evolução da Pixar que investiu para que os personagens ficassem mais nítidos, cada vez mais reais do que estávamos acostumados a ver há meros 30 anos, a tradução para dublagem fez um excelente trabalho de localização, as piadas adaptadas para o público brasileiro tiram boas gargalhadas junto com a sua trilha sonora nostálgica que nos leva para um lugar memórias acolhedoras de quem cresceu assistindo a franquia e independentemente do tempo que passe, sempre haverá um espaço reservado em nosso coração para esses brinquedos que nos ensinaram tanto sobre amizade, despedidas e recomeços.
Toy Story 5 estreou no dia 18 de junho e está em cartaz nos cinemas de todo o Brasil.